Biomecânica e movimento diário: porque o suporte do pé é importante na prática farmacêutica

O pé humano encontra-se adaptado para absorver impactos, adaptar-se às superfícies de apoio e proporcionar estabilidade durante o movimento. Mesmo na marcha habitual, o pé é sujeito a forças que podem atingir cerca de 1,2 vezes o peso corporal a cada passo 1. Em superfícies rígidas, a repetição contínua destas forças contribui para o aumento do stress mecânico cumulativo.

Adaptação do pé durante a marcha

Na fase inicial da marcha, o pé assume uma configuração mais flexível para absorver o impacto e adaptar-se ao solo. Esta fase, designada por pronação, permite a dissipação das forças durante a transferência de carga. À medida que o passo evolui, o pé torna-se progressivamente mais rígido (supinação), atuando como uma alavanca estável na fase de impulsão 2.

Alterações nesta sequência, associadas à morfologia do pé, ortostatismo prolongado, tipo de calçado ou fadiga, podem levar a uma distribuição desigual das pressões plantares, aumentando a carga sobre determinadas estruturas ao longo do tempo 3.

Padrões biomecânicos observados na prática farmacêutica

Em contexto de farmácia comunitária, é frequente que os doentes apresentem sintomatologia influenciada por fatores mecânicos:

Estes padrões não constituem diagnósticos clínicos, mas representam fatores biomecânicos que podem contribuir para a persistência de sintomas, como dor no calcanhar ou calosidades recorrentes.

Como as palmilhas apoiam a função mecânica

As palmilhas desempenham um papel importante na adaptação do pé às exigências mecânicas do movimento diário. Ao aumentarem a área de contacto plantar, favorecem uma redistribuição mais homogénea das pressões, reduzindo a carga excessiva em zonas específicas. O suporte do arco contribui para a estabilidade durante o ortostatismo e a marcha, enquanto os materiais com propriedades de amortecimento permitem a absorção eficaz do impacto a cada passo. Este efeito combinado pode diminuir a tensão em estruturas como o calcâneo e o antepé, contribuindo para um maior conforto durante períodos prolongados de carga. Enquanto medida simples e não invasiva, as palmilhas oferecem suporte mecânico adicional e podem complementar o uso de calçado adequado e estratégias adequadas de gestão da carga (publicação Scholl).

 

A integração de princípios biomecânicos na prática farmacêutica contribui para um autocuidado informado e para a identificação atempada da necessidade de avaliação adicional.

 

Resources

Dor no calcanhar: causas e patologias comuns para além da fascite plantar

Cuidados do pé diabético na prática farmacêutica

Abordagem das verrugas cutâneas, incluindo verrugas plantares: guia prático para a farmácia comunitária

  1. Lautzenheiser, S.G. and P. Ann Kramer, Muscle forces and the demands of turning while walking. Biol Open, 2025. 14(6).
  2. Behling, A.V., et al., Chasing footprints in time – reframing our understanding of human foot function in the context of current evidence and emerging insights. Biol Rev Camb Philos Soc, 2023. 98(6): p. 2136-2151.
  3. Mohammadi, M.M. and A. Nourani, Testing the effects of footwear on biomechanics of human body: A review. Heliyon, 2025. 11(4): p. e42870.
  4. Mei, Q., et al., Foot Pronation Contributes to Altered Lower Extremity Loading After Long Distance Running. Front Physiol, 2019. 10: p. 573.
  5. Cha, Y.J., Effectiveness of Shock-Absorbing Insole for High-Heeled Shoes on Gait: Randomized Controlled Trials. Healthcare (Basel), 2022. 10(10).
  6. Al Aboud, A.M. and S.N.S. Yarrarapu, Corns, in StatPearls. 2025: Treasure Island (FL), empresas não elegíveis. Declaração: Siva Naga Yarrarapu declara não ter relações financeiras relevantes com empresas não elegíveis.

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