Fascite plantar na prática farmacêutica: reconhecimento da dor calcaneana
A fascite plantar, também conhecida como fasciopatia plantar, constitui uma das causas mais prevalentes de dor ao nível do calcanhar. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, sendo mais comum em indivíduos com mais de 40 anos. Pode afetar um ou ambos os pés e representa uma proporção relevante das queixas podológicas que necessitam de avaliação profissional 1, 2.
Consequentemente, é frequente a sua apresentação em farmácia comunitária sob a forma de dor persistente no calcanhar e limitação funcional.
Anatomia e função da fáscia plantar
A fáscia plantar é uma estrutura fibrosa espessa que se estende do calcâneo até às bases dos dedos. Desempenha funções essenciais na biomecânica do pé, nomeadamente:
- Suporte do arco longitudinal medial
- Absorção de impacto durante o ortostatismo e a marcha
- Facilitação da transferência de carga durante a locomoção
A exposição a cargas mecânicas excessivas ou repetitivas pode originar microlesões na fáscia plantar, conduzindo progressivamente a inflamação e dor características desta condição.
Sintomatologia típica da fascite plantar
- Dor aguda ou lancinante na região inferior do calcâneo
- Dor mais intensa nos primeiros passos após períodos de repouso, particularmente ao acordar
- Agravamento do desconforto após ortostatismo prolongado, marcha ou atividade física
- Dor tipicamente localizada na região plantar medial do calcanhar
Alguns doentes referem melhoria transitória com o movimento, seguida de reaparecimento da dor após períodos de inatividade.
Descrição da dor pelos doentes
Em contexto de farmácia comunitária, os doentes tendem a descrever a dor em termos não médicos, como:
- “Sinto uma dor profunda no calcanhar.”
- “Dói muito quando me levanto.”
- “Melhora quando começo a andar.”
- “Fica pior ao fim do dia.”
A interpretação destas descrições é fundamental para o reconhecimento clínico da fascite plantar, mesmo na ausência de diagnóstico explícito.
Sinais clínicos e impacto funcional
Na maioria dos casos, não se verificam alterações clínicas evidentes à observação do pé. Pode ocorrer edema ligeiro ao nível do calcâneo; contudo, o diagnóstico baseia-se predominantemente no padrão sintomatológico, mais do que em achados objetivos. A dor associada pode comprometer de forma significativa a marcha e o ortostatismo, interferindo com as atividades quotidianas e a qualidade de vida.
Contributo do farmacêutico
O farmacêutico assume um papel relevante na identificação do padrão clínico característico da fascite plantar, no esclarecimento do doente quanto à natureza da patologia e na orientação para as opções terapêuticas mais adequadas, incluindo medidas conservadoras e referenciação sempre que indicado.
Resources
- Hamstra-Wright, K.L., et al., Risk Factors for Plantar Fasciitis in Physically Active Individuals: A Systematic Review and Meta-analysis. Sports Health, 2021. 13(3): p. 296-303.
- Koc, T.A., Jr., et al., Heel Pain – Plantar Fasciitis: Revision 2023. J Orthop Sports Phys Ther, 2023. 53(12): p. CPG1-CPG39.
- Buchanan, B.K., R.E. Sina, and D. Kushner, Plantar Fasciitis, in StatPearls. 2025: Treasure Island (FL) ineligible companies. Disclosure: Reddog Sina declares no relevant financial relationships with ineligible companies. Disclosure: Donald Kushner declares no relevant financial relationships with ineligible companies.
- Muth, C.C., Plantar Fasciitis. JAMA, 2017. 318(4): p. 400.